Viva Usina tem exposição de Guto Oca que transforma materiais descartados em arte


A programação cultural do Viva Usina em julho destaca a produção artística contemporânea da Paraíba com a exposição “Do Ará ao Orí, a Consagração das Andanças”, do artista visual Guto Oca. A mostra reúne 19 obras produzidas entre 2022 e 2026 e apresenta uma reflexão sobre ancestralidade, identidade negra, sustentabilidade e a relação entre o corpo e o espaço urbano.
Com curadoria de Everton David, a exposição permanece aberta ao público até o dia 30 de agosto, na Galeria Alexandre Filho, localizada na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa. A entrada é gratuita e a visitação acontece de terça-feira a domingo, das 9h30 às 18h. Nos finais de semana em que há programação do projeto Viva Usina, o horário é ampliado até as 22h.
Caminhadas pela cidade inspiram processo criativo
As obras apresentadas são resultado de uma pesquisa artística desenvolvida por Guto Oca durante caminhadas pelas ruas de João Pessoa. Ao longo desses percursos, o artista recolhe materiais descartados, como madeiras de móveis antigos, especialmente peças de mobiliário colonial, chinelos de borracha e diversos objetos encontrados em vias públicas.
Esses elementos, antes destinados ao descarte, são incorporados em pinturas, instalações, fotografias, objetos e assemblagens, adquirindo novos significados dentro do processo criativo. A proposta transforma resíduos urbanos em suportes para discutir memória, identidade e pertencimento, aproximando arte e sustentabilidade.
O trabalho também evidencia a possibilidade de ressignificar materiais considerados sem utilidade, mostrando como o cotidiano da cidade pode servir de base para construções artísticas ligadas à história e às experiências da população negra.
Exposição aborda ancestralidade e identidade negra
O conceito central da exposição parte de referências da cultura iorubá. O título reúne os termos Ará, que significa corpo, e Orí, relacionado à cabeça, consciência ou destino espiritual.
A partir dessa simbologia, Guto Oca propõe um percurso no qual caminhar representa mais do que um simples deslocamento. O ato de percorrer a cidade torna-se um exercício de reconexão entre corpo, memória, território e identidade.
Elementos como terra, madeira, cabelos e objetos recolhidos nas ruas aparecem como componentes poéticos que reforçam a presença negra, valorizam a ancestralidade e estabelecem diálogos entre espiritualidade, arte contemporânea e práticas decoloniais.
Sustentabilidade e memória se encontram nas obras
Além da discussão sobre identidade, a exposição também chama atenção para a reutilização de materiais descartados. Ao transformar móveis antigos e objetos abandonados em obras de arte, o artista apresenta uma perspectiva que une preservação ambiental e reflexão social.
Cada peça exposta estabelece relações entre o espaço urbano, as marcas deixadas pelo tempo e as histórias que permanecem presentes nos materiais reaproveitados. Dessa forma, a mostra convida o público a observar a cidade sob um novo olhar, identificando possibilidades criativas em elementos frequentemente ignorados no cotidiano.
Relação com a Usina Cultural Energisa
A trajetória de Guto Oca também possui uma ligação com a plataforma cultural da Energisa. Em 2015, o artista realizou sua primeira exposição profissional no hall da sede da Energisa Paraíba, em uma iniciativa voltada à valorização da produção artística local entre colaboradores da empresa.
Agora, retorna ao espaço cultural com uma exposição mais ampla, reunindo obras produzidas ao longo dos últimos quatro anos e consolidando sua pesquisa artística baseada na relação entre cidade, memória e ancestralidade.
O Viva Usina 2026 é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com produção da Atua Comunicação Criativa, apoio do Instituto Energisa e patrocínio do Grupo Energisa.
Como visitar a exposição
A mostra “Do Ará ao Orí, a Consagração das Andanças” segue em cartaz até 30 de agosto, na Galeria Alexandre Filho, na Usina Cultural Energisa, em João Pessoa.
A visitação é gratuita e ocorre de terça-feira a domingo, das 9h30 às 18h. Nos finais de semana em que há atividades do Viva Usina, o horário é estendido até as 22h, permitindo que o público aproveite a programação cultural em um período mais amplo.
A exposição reúne arte contemporânea, sustentabilidade e referências à ancestralidade em um conjunto de obras que dialoga diretamente com a cidade e com os materiais que fazem parte de seu cotidiano, oferecendo ao visitante uma oportunidade de conhecer diferentes perspectivas da produção artística paraibana.



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